Cidade de Nova York proíbe uso de IA em escolas públicas
Medidas são as mais restritivas nos EUA até o momento e devem afetar 600 mil alunos até o oitavo ano do ensino fundamental.
A cidade de Nova York vai proibir o uso de inteligência artificial por alunos de escolas públicas até o oitavo ano do ensino fundamental, segundo anunciou o prefeito Zohran Mamdami na última quarta-feira (2).
A medida começa a valer no início deste ano letivo, neste mês de setembro, e deve afetar 600 mil crianças e adolescentes que estudam na cidade – cerca de dois terços de todos os alunos das escolas públicas de Nova York.
“A indústria de tecnologia deseja que nós acreditemos que a educação infantil impulsionada pela IA não é só inevitável, é necessária”, disse Mamdami em uma coletiva de imprensa. “Mas não vemos dessa forma.”
“As crianças precisam de professores e de conexão humana para aprender e crescer”, disse o prefeito de Nova York. “Elas precisam desenvolver habilidades ao lado de seus pares, construir relacionamentos com educadores e lidar com problemas complexos por conta própria.”
Os alunos de escolas públicas em Nova York estarão proibidos de usar ferramentas de IA até ingressarem no ensino médio, por volta dos 14 e 15 anos. Após essa idade, os adolescentes poderão usar a tecnologia com restrições na sala de aula, especialmente para estudar o funcionamento, as oportunidades e as armadilhas da inteligência artificial.
O Departamento de Educação afirmou que vai restringir ou modificar aproximadamente 40 aplicativos com recursos de IA que os alunos da cidade atualmente usam para aprender matemática, inglês e outras matérias.
Chatbots de companhia, que oferecem apoio emocional, estarão banidos para todos os estudantes, e telas individuais não serão permitidas até o quarto ano. O Departamento ainda recomenda limitar o tempo de tela em sala de aula a 30 minutos para alunos até o quinto ano e 45 minutos para alunos do sexto ao oitavo ano.
Os professores de Nova York podem usar ferramentas de IA para criar planos de aula e traduzir materiais, por exemplo, mas não devem consultar ChatGPT e afins para determinar notas ou decidir como aconselhar estudantes.
A cidade de Nova York possui a maior distrito escolar dos Estados Unidos, com mais de 900 mil alunos matriculados no ano letivo de 2024 e 2025.
As medidas recém-adotadas são as mais restritivas até o momento nos Estados Unidos e estarão em voga pelo menos durante este ano letivo, podendo sofrer alterações no próximo ano.
São medidas que surgem em meio a reivindicações de pais e responsáveis para limitar o uso da tecnologia em sala de aula – eles temem que o uso de IA atrapalhe a saúde mental e o desenvolvimento cognitivo das crianças.





