CARREIRA
Por Leonardo Caparroz
A inteligência artificial evolui rapidamente, as empresas correm para adotar a tecnologia, e os especialistas no assunto tentam prever qual será o impacto desse fenômeno no mercado de trabalho.
Um dos trabalhos de destaque nesse sentido foi um relatório divulgado no início deste ano [2026] por pesquisadores da ESPM, que investigaram a exposição de mais de 90 milhões de trabalhadores à IA.
Os pesquisadores aplicaram o AI Occupational Exposure, índice internacional que mensura o grau de exposição das tarefas típicas de cada ocupação à IA, aos microdados da PNAD Contínua do IBGE, analisando 410 ocupações.
Segundo o estudo, ocupações que dependem principalmente da cognição – como matemáticos, economistas e publicitários – são mais sensíveis à automação, bem como atividades ligadas à administração, análise e processamento de informações.
Já funções predominantemente manuais e contextuais, como trabalhadores da construção civil, agricultores, lavradores manuais e bailarinos, apresentam os menores índices de exposição à IA.
“A inteligência artificial é uma força transformadora”, argumenta o pesquisador Rafael Lionello, desenvolvedor do estudo. “Mas seus efeitos variam muito entre regiões, setores e perfis de trabalhadores.”
Em 2025, o Brasil atingiu seu maior nível histórico de inserção em ocupações sensíveis à IA, segundo o estudo, e os trabalhadores com maior escolaridade e renda, que moram em estados mais urbanizados, estariam mais expostos à tecnologia.
Nesse sentido, os profissionais de São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal estariam mais expostos à IA. Regiões mais dependentes de agricultura e construção civil registram menor sensibilidade.
O relatório conclui que a IA não elimina ocupações inteiras, mas transforma tarefas, reorganiza atividades e exige novas competências — reforçando a urgência de preparar trabalhadores, organizações e políticas públicas.