OpenAI lança GPT-6 Astra e diz ter cruzado a “era da IAG”
Com destaque para as proteções e segurança, o novo modelo promete ser o mais alinhado lançado pela empresa e revolucionar o trabalho que as pessoas delegam à IA
O novo modelo da OpenAI já chegou. Nessa quinta-feira (3), a empresa apresentou o GPT-6 Astra, descrito como um “salto de geração” em cibersegurança, trabalho profissional, engenharia de software, ciência e uso de computador. Conforme anunciado pela OpenAI no início desta semana, este também é o primeiro modelo a atingir o “limiar crítico de capacidade de cibersegurança” estabelecido pela empresa — mas ela garante que ele não vai voltar a invadir sistemas internos de empresas concorrentes.
“Se avançarmos alguns anos e olharmos para trás perguntando ‘quando foi que a IAG foi criada mesmo?’, acho que vai ser por volta desta época, e acho que pode ter sido este modelo”, disse o presidente da OpenAI, Greg Brockman, durante uma coletiva de imprensa na quinta-feira. “Pessoalmente, acho que chegamos lá… não acho que é irracional sentir que estamos agora na era da IAG.”
A novo modelo chega mais de um ano após o lançamento do GPT-5 e quase dois meses depois do lançamento do GPT-5.6, o mais atual da série de modelos anterior.
“É o modelo mais inteligente e, também muito importante, o mais alinhado que já criamos”, afirmou Brockman. Ele acrescentou que o modelo “reúne anos de nossas pesquisas e grandes apostas, com cada avanço construído sobre o anterior”, e que representa uma “mudança real no tipo de trabalho que as pessoas podem delegar à IA e na forma como ela pode capacitá-las”.
A OpenAI deu um destaque especial para as capacidades de atuação autônoma (agentes) e a proficiência em programação do modelo. Em um comunicado, a empresa afirmou que o GPT-6 Astra consegue realizar tarefas complexas de múltiplas etapas, criar sites funcionais e elaborar documentos, planilhas e apresentações com acabamento profissional. A OpenAI também o descreveu como o “melhor modelo da empresa para engenharia de software, com desempenho superior em tarefas complexas envolvendo bases de código reais”.
O fantasma da Hugging Face
Para a OpenAI, o ataque à Hugging Face poderia ser visto como uma mídia positiva, mostrando o quão poderoso são os seus modelos em uma corrida de IA cada vez mais intensa. Contudo, ele também prejudicou a reputação da empresa e sua confiabilidade.
Por causa disso, o lançamento do Astra chega cercado de tentativas de reconstrução de imagem. OpenAI fez questão de afirmar, em um comunicado, que o Astra é o modelo “mais alinhado até o momento” da empresa e que ajuda as pessoas a “delegar tarefas complexas, mantendo a supervisão”.
Esse “alinhamento” é a tendência de um modelo de fazer o que o usuário quer. Modelos bem alinhados não saem supondo coisas ou tomando decisões por conta própria sem confirmar com o usuário.
A OpenAI também garante que o modelo responsável pelo ataque não era o Astra – por mais que toda essa insistência no alinhamento parece muito uma resposta a ele. Ela diz ter criado uma avaliação específica, inspirada no incidente, para medir se um modelo extrapola o escopo de uma tarefa difícil demais para ser concluída. Segundo a empresa, o GPT-5.6 Sol, o antecessor do Astra, ia além do objetivo autorizado em 48% dos casos quando rodava sem proteções. O Astra, diz a OpenAI, fez isso em 0% dos casos, nenhuma vez.
Jakub Pachocki, cientista-chefe da OpenAI, reconheceu as dificuldades do momento em uma entrevista: “progresso em inteligência não garante progresso em alinhamento”, disse, acrescentando que monitorar sistemas de IA está cada vez mais desafiador. Mia Glaese, responsável pelos processos de segurança da empresa, citou uma nova abordagem para controlar o desalinhamento com “resposta rápida 24 horas”, que notifica pesquisadores em até 30 minutos diante de sinais de alerta.
Nível crítico e cibersegurança
O Astra é o primeiro modelo da OpenAI classificado no nível “crítico” de cibersegurança da empresa — em outras palavras, ele seria capaz de encontrar e explorar vulnerabilidades de segurança mesmo em sistemas bem protegidos, sem depender de orientação humana. É uma situação parecida com a que a Anthropic já vive com sua linha Mythos, também associada a riscos elevados de cibersegurança.
No ExploitBench, benchmark que testa a capacidade de transformar vulnerabilidades conhecidas em explorações funcionais, o Astra atingiu 100% de acerto. No SRE-Bench, que mede engenharia reversa de binários sem acesso ao código-fonte, resolveu 88% das tarefas na primeira tentativa. Durante os testes, o modelo chegou a descobrir e usar duas vulnerabilidades até então desconhecidas, que a OpenAI diz estar reportando aos responsáveis pelos sistemas afetados.
Por causa disso, a empresa afirma que o Astra vai se recusar a executar tarefas ofensivas mais avançadas, como criar provas de conceito de exploração. Um grupo inicial de “defensores confiáveis” vai ter um acesso menos restrito ao modelo via plataforma Daybreak, para tarefas como validação de vulnerabilidades, análise de malware e engenharia de detecção.
A OpenAI e outras empresas do setor recentemente concordaram em deixar o governo Trump avaliar seus modelos antes do lançamento, e o Astra passou pelos teste. “Fizemos nosso processo padrão de testes junto com o governo… não houve nada que eles tenham dito ‘você precisa mudar isso’ em termos de salvaguardas”, afirmou Brockman.
Disponibilidade
O Astra começa a rodar hoje para clientes corporativos com acesso ao Daybreak e, nos próximos dias, chega a todos os usuários dos planos Plus, Pro, Business e Enterprise do ChatGPT, além da API da OpenAI e da AWS. Na API, o preço padrão é de US$ 10 por milhão de tokens de entrada e US$ 50 por milhão de tokens de saída.





