Depois de 15 anos, Tim Cook deixa o comando da Apple
Cook passa o cargo de CEO a John Ternus e assume a presidência do conselho de executivos.
Por 15 anos, Tim Cook começou boa parte das manhãs do mesmo jeito: lendo e-mails de usuários da Apple contando como um iPhone, um Apple Watch ou um Mac mudou a vida deles. Nesta segunda-feira (31), foi seu último dia como CEO da Apple.
Em um comunicado interno aos funcionários da empresa, Cook manifestou seu forte apoio ao sucessor John Ternus, que era vice-presidente sênior de engenharia de hardware. “Poucas pessoas entendem o que é preciso para construir produtos que mudam o mundo como John entende”, escreveu sobre o sucessor. Cook reforçou que não está deixando a Apple, apenas o cargo de CEO.
Ternus, de 51 anos, entrou na Apple em 2001, recém-formado em engenharia mecânica pela Universidade da Pensilvânia. Chegou a vice-presidente de engenharia de hardware em 2013 e, desde 2021, era vice-presidente sênior da área, período em que passou a tocar também a linha do Apple Watch.
Sob sua liderança na engenharia de hardware, a Apple lançou vários produtos notáveis, como o iPhone Air, o MacBook Neo, AirPods e o Vision Pro. A sua promoção a CEO sugere que a nova era da Apple terá um foco renovado em hardware e execução de produtos físicos.
O memorando de Cook evita falar dos próximos desafios da Apple, como inteligência artificial, serviços, regulamentação e disputas com a China. Em vez disso, o antigo CEO foca na sua gratidão pela oportunidade de liderar a Apple e exalta a cultura da empresa como aquilo é mais importante.
“Compartilhamos a crença de que o que construímos importa e de que temos tanto a oportunidade quanto a responsabilidade de deixar o mundo melhor do que o encontramos”, escreveu Cook. Ele também fez referência à famosa frase de Steve Jobs sobre deixar uma “marca no universo”, afirmando que a Apple torna isso possível devido a “quem somos e no que acreditamos”, bem como “ao que valorizamos e à forma como vemos o mundo”.
A mudança foi anunciada em abril, com aprovação unânime do conselho. Nos últimos meses, a Apple conduziu um processo de sucessão de longo prazo, para tornar essa transição bem menos abrupta do que a que o próprio Cook enfrentou ao suceder Steve Jobs, em 2011.
Em uma carta aberta publicada no site da Apple em abril, Cook elogiou o novo CEO, dizendo que ele era “o candidato perfeito para o cargo”, um “engenheiro brilhante” e que a empresa vai alcançar “alturas incríveis” sob sua liderança.
“John se importa profundamente com quem somos na Apple, com o que fazemos na Apple e com quem alcançamos na Apple; ele possui o coração e o caráter necessários para liderar com integridade extraordinária. Tenho muito orgulho de anunciá-lo como o próximo CEO da Apple”, disse Cook.
Sending lots of love to the Apple community on my last day as CEO. My title changes tomorrow, but the love I have for the Apple community never will. Thank you for being a constant source of inspiration. My gratitude is endless, and I’m excited for the next chapter!
— Tim Cook (@tim_cook) August 31, 2026
O fim da era Tim Cook
Sob o comando de Cook, o valor da Apple disparou para US$ 4,6 trilhões, graças à enorme popularidade do iPhone. Com ele, as ações da Apple subiram 2000% e ela se tornou a primeira empresa do mundo a valer um trilhão de dólares.
Ele agora passa a ser presidente executivo do conselho administrativo da Apple. Nesse cargo, Cook auxiliará nas relações políticas da empresa, incluindo a “interação com formuladores de políticas ao redor do mundo”, afirma a Apple.
A transição para um novo CEO ocorre em um momento decisivo para a Apple. A inteligência artificial está no centro da maior transformação no setor desde que Steve Jobs apresentou o primeiro iPhone, em 2007. A Apple teve um início difícil na área de IA, com dificuldades em emplacar novos recursos baseados nessa tecnologia. A empresa continua investindo em IA, incluindo melhorias na Siri, em um esforço para alcançar seus rivais.





