Com ChatGPT Ads, OpenAI entra na disputa com Google e Meta pela publicidade digital    

Anúncios integrados às conversas mediadas por IA criam um novo canal de mídia para marcas e podem encurtar a jornada de compra.

Por Izabel Duva Rapoport 12 ago 2026, 12h00 | Atualizado em 12 ago 2026, 16h04
Interface de usuário de um gerenciador de anúncios, exibindo Ads Manager no topo. Abaixo, abas Campaigns, Ad groups e Ads, com 1 selected em azul para as duas primeiras. Uma lista de anúncios mostra um item com status Active e um card de anúncio da Simple Home Designs com o texto Make Every Room Feel Like Home e uma imagem de uma poltrona amarela
 (Chat GPT/Reprodução)
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A disputa pela atenção do consumidor na internet acaba de ganhar um novo capítulo. Depois de duas décadas em que Google e Meta concentraram grande parte dos investimentos em publicidade digital, a OpenAI lança um modelo de anúncios integrado ao ChatGPT, que pode alterar a forma como pessoas descobrem produtos, pesquisam serviços e tomam decisões de compra. A novidade inaugura um terceiro ecossistema de mídia digital, baseado na intenção manifestada durante uma conversa com a inteligência artificial, e não apenas em buscas ou no comportamento de navegação.

Para o especialista em vendas Hugo Silveira, cofundador do Grupo HRZ, a mudança vai além do lançamento de uma nova plataforma de anúncios. “O consumidor não quer mais apenas encontrar informação. Ele quer resolver um problema com rapidez”, diz. “E quando a IA passa a indicar produtos ou serviços dentro da própria conversa, a jornada de compra fica mais curta e tende a ser mais objetiva. Isso muda completamente a lógica da publicidade digital”.

A movimentação acontece em momento de rápida expansão da IA generativa. Segundo o AI Index Report 2026, da Universidade Stanford, o uso dessas ferramentas segue crescendo entre consumidores e empresas, enquanto a consultoria McKinsey aponta que elas já fazem parte da estratégia de grandes organizações no mundo. “A publicidade acompanha essa mudança de comportamento”, comenta o executivo.

Até então, a jornada digital normalmente começava em mecanismos de busca ou redes sociais. Agora, com a chegada dos anúncios no ChatGPT, essas pesquisas tendem a acontecer também dentro de uma conversa mediada pela IA, que reúne informações, compara alternativas e reduz etapas até a decisão de compra.

Um terceiro ecossistema de mídia

Na avaliação do estrategista de vendas Iury Borges, sócio-diretor do Grupo HRZ, as Big Techs passam a ocupar papéis diferentes na jornada de compra. “O Google continua sendo o principal canal para quem já sabe o que procura. A Meta desperta interesse durante a navegação. E a OpenAI, com o ChatGPT, cria um terceiro momento, em que a recomendação acontece enquanto o consumidor conversa e busca entender qual é a melhor solução para a sua necessidade”, explica. “Não é uma substituição, mas uma nova etapa na jornada de descoberta”.

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O especialista acredita que a mudança também tende a beneficiar consumidores ao reduzir o excesso de informações durante uma pesquisa. “Hoje muitas pessoas precisam abrir diversas abas, comparar avaliações e pesquisar em vários lugares antes de decidir. Se a IA conseguir organizar essas informações de forma transparente e relevante, a experiência poderá ser mais simples”, afirma Iury. “Ao mesmo tempo, será fundamental deixar claro quando uma recomendação tiver caráter comercial”.

Essa tendência, segundo o executivo, torna a jornada de compra mais rápida, mas também aumenta a responsabilidade das empresas em fornecer informações confiáveis. “O consumidor ganha tempo porque deixa de navegar entre dezenas de páginas para receber uma resposta estruturada. Ao mesmo tempo, isso aumenta a importância da credibilidade da marca”, avalia. “Empresas com informações superficiais ou desencontradas terão mais dificuldade para aparecer nas recomendações da IA”.

O que muda para anunciantes

A principal mudança para as empresas está na disputa pela atenção. Em vez de depender apenas de palavras-chave ou segmentações de público, elas vão precisar conquistar relevância dentro das conversas com a tecnologia. Para o especialista em automação comercial e IA aplicada a vendas João Vinas, também sócio do Grupo HRZ, esse novo ambiente exigirá estratégias diferentes das utilizadas até agora.

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“Não basta investir em mídia. As empresas deverão construir autoridade, organizar melhor suas informações e produzir conteúdo capaz de responder às dúvidas do consumidor”, orienta, lembrando que a IA tende a recomendar quem demonstra mais relevância e confiabilidade.

Vale observar antes de investir

Embora o lançamento desperte interesse do mercado, os executivos recomendam cautela antes de ampliar investimentos, já que a plataforma ainda passa por um processo natural de amadurecimento. “As empresas precisam acompanhar a evolução da mensuração dos resultados, dos formatos disponíveis e avaliar se esse canal faz sentido para seus objetivos de negócio”, afirma João. Outro ponto importante é acompanhar indicadores, como custo de aquisição, qualidade do tráfego e retorno sobre investimento.

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Na avaliação dos especialistas, a chegada da OpenAI não substitui Google Ads nem Meta Ads: a tendência é que os três ecossistemas convivam de forma complementar, atendendo diferentes momentos da jornada do consumidor.

A OpenAI está vendendo uma bola de basquete do ChatGPT

 

 

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