78% dos alunos brasileiros utilizam inteligência artificial para estudar

Por outro lado, usuários demonstram preocupação com a qualidade das informações, o desenvolvimento do pensamento crítico e a necessidade de uso responsável.

Por Izabel Duva Rapoport 13 ago 2026, 15h00 | Atualizado em 13 ago 2026, 18h27
Um notebook prateado com a tela acesa e um livro aberto ao lado, ambos iluminados pela luz azulada do monitor, em um ambiente escuro
 (Gery Wibowo/Unsplash)
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Uma pesquisa feita pela Opera, empresa de navegadores e agentes de inteligência artificial, indica que 78% dos estudantes no Brasil utilizam ferramentas de IA para fins acadêmicos. Entre eles, 15% afirmam recorrer à tecnologia sempre que estudam, enquanto apenas 22% dizem nunca utilizá-la nessa rotina.

O levantamento reforça ainda que a IA deixou de ser uma novidade para se tornar uma ferramenta presente no processo de aprendizagem. Hoje, 34% dos estudantes dizem iniciar suas pesquisas pela tecnologia ou consultá-la antes dos mecanismos tradicionais de busca. Para Juliana Psaros, diretora regional da Opera no Brasil, isso confirma que houve mudanças na forma como novas gerações acessam informações e organizam os estudos. “A questão já não é mais se os estudantes usam inteligência artificial, mas como ela está sendo incorporada ao processo de aprendizagem”.

Além disso, os resultados revelam que 71% dos alunos recorrem à IA não apenas para ganhar tempo, mas também porque reconhecem que a tecnologia, dependendo da forma que usam, pode ajudá-los a compreender melhor os conteúdos.

Entre os aspectos da ferramenta a serem aprimorados, 52% dos respondentes indicaram a confiabilidade das informações. Outro desejo apontado é por um passo a passo que os auxilie na compreensão dos processos de aprendizagem, e não apenas a resposta pronta. “A tecnologia passou a fazer parte da rotina acadêmica e o desafio agora é garantir que seu uso contribua para ampliar conhecimento, autonomia e pensamento crítico”, pontua a executiva.

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Aprendizado autodidata

Apesar da rápida adoção da IA, a pesquisa revela que a maioria dos estudantes utiliza a ferramenta por iniciativa própria. Mais da metade afirma ter aprendido sozinha, enquanto apenas 5% recebem orientação formal em suas escolas ou universidades. Outros 40% dizem nunca ter recebido qualquer apoio institucional sobre o uso da tecnologia nos estudos.

Os resultados também mostram diferentes níveis de preparação das instituições de ensino para lidar com a ela. Enquanto 20% dos estudantes afirmam ter o suporte de políticas claras para o uso de IA, 32% recebem apenas orientações informais de professores e 9% estudam em lugares que proíbem essas ferramentas.

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A tecnologia como apoio

Os dados ressaltam ainda que a IA está cada vez mais presente na elaboração de trabalhos (16% usam a tecnologia com frequência e 31% fazem isso ocasionalmente), e que os estudantes preferem utilizá-la apenas como apoio ao processo e não como substituta da produção própria. 31% revelam usar conteúdos gerados por IA como ponto de partida, adaptando-os antes da entrega. Já outros 22% relatam produzir seus trabalhos sem recorrer à ferramenta.

“A tecnologia sempre impactou a forma como as pessoas aprendem. Com a IA, os estudantes não estão simplesmente em busca de respostas mais rápidas, mas de informações confiáveis, além de melhores formas de aprender”, comenta. Não por acaso, Juliana reforça que, à medida que a IA se consolida como parte da rotina acadêmica, cresce também a importância do uso responsável dessas ferramentas. “Desenvolver pensamento crítico, verificar informações em fontes confiáveis e orientar estudantes sobre como utilizar a tecnologia de forma ética são fatores fundamentais para que a IA fortaleça, e não substitua, o processo de aprendizagem”, afirma.

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