54% dos brasileiros já compraram por recomendação de inteligência artificial

Embora os buscadores como o Google ainda sejam a principal fonte de consulta, 66% já usam a IA para pesquisar produtos e serviços.

Por Izabel Duva Rapoport 19 ago 2026, 09h00 | Atualizado em 19 ago 2026, 10h51
Pessoa sentada usando um notebook branco, digitando com a mão esquerda no teclado e segurando um cartão de crédito cinza com a mão direita, preparando-se para uma compra online
 (magnific/Reprodução)
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Um estudo feito pela Branddi revela que 5 em cada 10 brasileiros (54%) já compraram algum produto ou serviço por recomendações feitas por Inteligência Artificial. Desses, 34% já foram influenciados pela ferramenta mais de uma vez, enquanto 20% fizeram apenas uma compra com estímulo da tecnologia e ainda outra parcela (27%) diz que nunca fez isso, mas faria.

O hábito também revela um novo comportamento relacionado a um processo que antecede a compra. Embora os buscadores, como o Google, ainda sejam a principal fonte de consulta de informações (72%), o uso de IA já é significativo e vem ganhando cada vez mais espaço entre os consumidores: 66% deles confirmam o uso da ferramenta para pesquisar produtos e serviços, sendo que 38% fazem isso com bastante frequência e 28% em todas as buscas.

As finalidades do uso também variam: entre os principais objetivos estão tirar dúvidas sobre características dos produtos (62%), buscar recomendações personalizadas (54%) e comparar preços e funcionalidades (48%).

“Hoje, muitos consumidores já enxergam a IA como uma espécie de assistente de compras”, diz Diego Daminelli, CEO da Branddi. “Elas ajudam a economizar tempo, comparar opções e reunir informações de maneira mais rápida, o que torna natural que passem a influenciar decisões de consumo”. O executivo chama a atenção, porém, para essa relação, que ainda está em construção. “Muitas pessoas utilizam as ferramentas acreditando que todas as recomendações são totalmente neutras ou precisas, quando, na prática, existem limitações, vieses e até riscos envolvendo informações incorretas”, explica.

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Ainda de acordo com o levantamento, 45% dos entrevistados temem receber informações incorretas da IA e 30% demonstram preocupação com recomendações tendenciosas ou publicidade disfarçada.

De olho na reputação da marca

Para as empresas, acompanhar essas respostas também passa a ser uma medida de proteção da reputação. Uma descrição antiga, um preço incorreto ou uma associação equivocada pode circular sem que o consumidor chegue ao canal oficial para conferir. Para Luiz Santos, fundador do Unnichat, especializado em CRM, automação e canais para atendimento e vendas, essa mudança amplia o significado de presença digital, já que, agora, sites, redes sociais e anúncios passam a dividir espaço com sistemas que pesquisam. “A marca pode até ter um bom site e investir em mídia, mas, mesmo assim, continuar ausente quando o cliente pede à IA uma recomendação”, diz.

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A preparação para que isso não aconteça, segundo Luiz, começa pela consistência: nome, serviços, localização, diferenciais, políticas comerciais, preços e canais de contato precisam estar corretos em todos os ambientes. Além disso, conteúdos que respondem dúvidas reais, avaliações legítimas e menções em fontes independentes ajudam a formar sinais públicos de confiança. Já, repetir palavras-chave ou produzir textos em massa não garante recomendação.

“A empresa precisa começar a testar o que as inteligências artificiais respondem sobre seu setor, seus produtos e seus concorrentes”, orienta. “O primeiro diagnóstico é descobrir se a marca aparece, em qual contexto e com quais informações”.

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