Vagas de trabalho que mencionam inteligência artificial crescem 143% em um ano

O movimento indica que a IA já deixou de ser uma competência restrita às áreas de tecnologia. Hoje, ela é aplicada em diferentes setores e funções.  

Por Izabel Duva Rapoport 18 ago 2026, 21h00
Uma mão de desenho animado com manga azul e punho branco aponta para o ícone de lupa em uma barra de pesquisa branca e vazia, sobre um fundo azul claro
 (DilokaStudio/magnific)
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Um recente levantamento do Infojobs mostra que o número de vagas de trabalho que mencionam Inteligência Artificial cresceu 142,8% no primeiro semestre de 2026, em comparação com o de 2025. E no mesmo intervalo, o total de oportunidades incluídas na plataforma aumentou apenas 1,2%. No conjunto de anúncios, porém, a participação que cita a ferramenta avançou de 0,15% para 0,37%.

Ou seja, embora ainda representem uma parcela pequena do mercado, essas vagas cresceram em um ritmo muito superior ao observado no volume total de oportunidades. Segundo Hosana Azevedo, gerente de RH da Redarbor Brasil, detentora do Infojobs, isso mostra que a IA começa a ser incorporada às descrições de vagas não apenas como uma especialidade restrita à área de tecnologia, mas como uma competência aplicada a diferentes funções. “Em muitos casos, as empresas procuram profissionais capazes de utilizar essas ferramentas para pesquisar, organizar informações, produzir conteúdos, analisar dados e aumentar a eficiência das atividades”, explica.

A tendência, na visão da executiva, é que o mercado passe a valorizar cada vez mais profissionais que saibam incorporar a IA à rotina de trabalho, independentemente da área de atuação. “Isso não significa apenas saber utilizar uma ferramenta, mas entender como aplicá-la para resolver problemas, ganhar eficiência e apoiar decisões”, ressalta. “A capacidade de analisar criticamente o que a tecnologia entrega passa a ser tão importante quanto o próprio uso da IA”.

Na perspectiva do candidato

A transformação ocorre também do lado dos candidatos. Ferramentas como o ChatGPT passaram a ser usadas para revisar currículos, estruturar cartas de apresentação, pesquisar organizações, preparar respostas para entrevistas e identificar oportunidades mais compatíveis com o perfil profissional. Hosana lembra que o próprio aplicativo do Infojobs pode ser conectado ao ChatGPT, permitindo que o usuário consulte vagas por cargo e localização em formato conversacional e seja direcionado à plataforma para concluir a candidatura. “Em uma segunda etapa, a empresa prevê aprimorar a apresentação dos resultados e permitir também a inscrição por meio do assistente”, completa.

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A adoção dessas ferramentas, no entanto, também amplia o desafio das áreas de Recursos Humanos. Segundo a especialista na área, cartas de apresentação mais bem escritas e estruturadas tendem a perder força como elementos isolados de diferenciação, já que podem ser produzidos ou aperfeiçoados com auxílio de IA.

“Se a tecnologia facilita a construção de um currículo ou a preparação para uma entrevista, o processo seletivo precisa avançar na mesma direção: o desafio do RH passa a ser identificar o que realmente pertence ao repertório daquele profissional, como ele transforma informação em ação e de que forma utiliza a tecnologia com senso crítico e responsabilidade”, afirma. “Mais do que respostas bem formuladas, as empresas precisam buscar evidências concretas de competência”.

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Novos critérios de seleção

Em um cenário como esse, os processos seletivos passam a depender mais da capacidade do recrutador de verificar a consistência entre o material apresentado, a experiência do candidato e seu desempenho nas diferentes etapas da seleção. “Perguntas baseadas em situações reais, exemplos concretos de utilização da tecnologia e demonstrações práticas ganham relevância na avaliação”, pontua a gestora, destacando as duas perspectivas.

Para os candidatos, o uso da IA pode contribuir para organizar melhor as informações e tornar a comunicação profissional mais clara. O risco aparece quando a ferramenta produz uma candidatura genérica, exagera competências ou apresenta experiências que o profissional não consegue sustentar durante a entrevista.

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Para as empresas, o desafio é diferenciar o uso estratégico da tecnologia da simples reprodução de respostas prontas. Mais do que saber utilizar uma ferramenta, passa a importar a capacidade de compreender o problema, revisar o conteúdo gerado, validar informações e assumir responsabilidade pela decisão final.

O crescimento das vagas que mencionam IA sugere, portanto, na avaliação da executiva, uma mudança gradual nos critérios de empregabilidade. “A tecnologia deixa de ser apenas um recurso de apoio e começa a integrar o repertório esperado dos profissionais, ao mesmo tempo em que obriga o RH a buscar formas mais concretas de avaliar competências”.

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Um “jardim de infância” pode melhorar o aprendizado de IAs 

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