Você compartilhou seus chats do Claude. O Google também recebeu

Chats com prontuários médicos, dados de crianças, documentos sigilosos e chaves de carteiras de cripto ficaram visíveis para qualquer busca no Google.

Por Leo Caparroz 31 jul 2026, 12h00
Envelope cinza aberto com um cartão laranja dentro, exibindo um símbolo branco de estrela ou floco de neve com oito pontas. À direita, dois lápis escuros sobre uma superfície texturizada em tons de marrom. A imagem tem um filtro granulado e escuro
 (Montagem sobre reprodução (fotos: Anthropic e Immo Wegmann)/VC I.A.)
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Imagine mandar uma conversa do Claude para alguém ver, acreditando que a só você dois vão conseguir ler o que está nela. Foi isso que muita gente pensou estar fazendo nas últimas semanas. Só que, sem perceber, essas pessoas publicaram prontuários médicos, dados de clientes, endereços e até chaves de carteiras de criptomoedas no Google – acessível por qualquer um que soubesse pesquisar com jeitinho.

O problema veio à tona no fim de semana de 25 de julho, quando usuários do Reddit descobriram que buscar por “site:claude.ai/share” retornava uma longa lista de conversas compartilhadas do chatbot da Anthropic. A 404 Media foi quem primeiro noticiou o caso, na segunda-feira seguinte.

Essa combinação é um tipo de pesquisa super específica, útil para encontrar páginas da web ou arquivos específicos. O que ela faz é restringir todos os resultados ao domínio especificado. Se você procurar por “site:vcia.abril.com.br”, por exemplo, só vai receber links da VC I.A.

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O botão “Compartilhar” do Claude cria um link público de uma conversa ou de um Artefato – os aplicativos e documentos interativos que o usuário pode montar dentro da ferramenta. A interface avisa que “qualquer pessoa com o link pode ver”, não que esse link pode acabar indexado por mecanismos de busca.

Entre as informações expostas, o site Futurism encontrou um relatório médico detalhado de um paciente real, resultados de testes clínicos com nomes de pacientes, documentos com nomes e telefones de crianças em idade escolar, chaves de uma carteira de criptomoedas, documentos internos de empresas e avaliações de funcionários com dados pessoais.

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Um pop-up de Chat compartilhado em um fundo escuro, oferecendo opções de privacidade: Manter privado, Compartilhar com sua equipe (plano Equipe) e Criar link público, com o link https://claude.ai/share/ e um botão Copiar link
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Postura da Anthropic

Questionada pela imprensa, a Anthropic disse que o ocorrido não era uma falha e que a função estava funcionando como esperado.

Em nota enviada ao TechCrunch, a porta-voz Amie Rotherham afirmou: “Damos às pessoas controle sobre o compartilhamento público de suas conversas no Claude e, de acordo com nossos princípios de privacidade, não compartilhamos diretórios de conversas com buscadores como o Google. Esses links não são adivinháveis nem descobríveis, a menos que as próprias pessoas optem por compartilhá-los. Quando alguém compartilha uma conversa, está tornando aquele conteúdo publicamente acessível.”

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A empresa quis colocar a responsabilidade nos donos das conversas, dizendo que eles publicaram seus links em algum lugar visível a rastreadores, como um fórum ou uma rede social. Um link enviado só em privado, segundo ela, não chega às buscas.

A comparação óbvia que usuários e mídia fizeram é com o recurso de compartilhamento do Google Docs, que oferece as mesmas funções e não faz seus arquivos serem pesquisáveis no Google. 

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Segundo especialistas, a diferença está numa instrução simples que teria evitado tudo isso: a tag “noindex”, que pede a buscadores para ignorar uma página. Não há indícios de que a Anthropic a tenha usado nos links do Claude.

Até a tarde de segunda-feira, a mesma busca que expôs o problema não retornava mais resultados, sinal de que a exposição foi de alguma forma remediada. Quem já tinha um link salvo, porém, ainda consegue acessá-lo, e o conteúdo pode continuar em caches e arquivos de terceiros.

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O problema não é exclusivo do Claude. No ano passado, cerca de 100 mil conversas do ChatGPT podiam ser encontradas no Google, o que levou a OpenAI a desativar o recurso na época. A mesma falha de design se repetindo em chatbots diferentes, que tratam o clique em “compartilhar” como consentimento para publicar no mundo todo.

Quem usa o Claude e já compartilhou conversas pode revisar e revogar esses links em Configurações, depois Privacidade, depois Conversas Compartilhadas.

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