Você compartilhou seus chats do Claude. O Google também recebeu
Chats com prontuários médicos, dados de crianças, documentos sigilosos e chaves de carteiras de cripto ficaram visíveis para qualquer busca no Google.
Imagine mandar uma conversa do Claude para alguém ver, acreditando que a só você dois vão conseguir ler o que está nela. Foi isso que muita gente pensou estar fazendo nas últimas semanas. Só que, sem perceber, essas pessoas publicaram prontuários médicos, dados de clientes, endereços e até chaves de carteiras de criptomoedas no Google – acessível por qualquer um que soubesse pesquisar com jeitinho.
O problema veio à tona no fim de semana de 25 de julho, quando usuários do Reddit descobriram que buscar por “site:claude.ai/share” retornava uma longa lista de conversas compartilhadas do chatbot da Anthropic. A 404 Media foi quem primeiro noticiou o caso, na segunda-feira seguinte.
Essa combinação é um tipo de pesquisa super específica, útil para encontrar páginas da web ou arquivos específicos. O que ela faz é restringir todos os resultados ao domínio especificado. Se você procurar por “site:vcia.abril.com.br”, por exemplo, só vai receber links da VC I.A.
O botão “Compartilhar” do Claude cria um link público de uma conversa ou de um Artefato – os aplicativos e documentos interativos que o usuário pode montar dentro da ferramenta. A interface avisa que “qualquer pessoa com o link pode ver”, não que esse link pode acabar indexado por mecanismos de busca.
Entre as informações expostas, o site Futurism encontrou um relatório médico detalhado de um paciente real, resultados de testes clínicos com nomes de pacientes, documentos com nomes e telefones de crianças em idade escolar, chaves de uma carteira de criptomoedas, documentos internos de empresas e avaliações de funcionários com dados pessoais.
Postura da Anthropic
Questionada pela imprensa, a Anthropic disse que o ocorrido não era uma falha e que a função estava funcionando como esperado.
Em nota enviada ao TechCrunch, a porta-voz Amie Rotherham afirmou: “Damos às pessoas controle sobre o compartilhamento público de suas conversas no Claude e, de acordo com nossos princípios de privacidade, não compartilhamos diretórios de conversas com buscadores como o Google. Esses links não são adivinháveis nem descobríveis, a menos que as próprias pessoas optem por compartilhá-los. Quando alguém compartilha uma conversa, está tornando aquele conteúdo publicamente acessível.”
A empresa quis colocar a responsabilidade nos donos das conversas, dizendo que eles publicaram seus links em algum lugar visível a rastreadores, como um fórum ou uma rede social. Um link enviado só em privado, segundo ela, não chega às buscas.
A comparação óbvia que usuários e mídia fizeram é com o recurso de compartilhamento do Google Docs, que oferece as mesmas funções e não faz seus arquivos serem pesquisáveis no Google.
Segundo especialistas, a diferença está numa instrução simples que teria evitado tudo isso: a tag “noindex”, que pede a buscadores para ignorar uma página. Não há indícios de que a Anthropic a tenha usado nos links do Claude.
Até a tarde de segunda-feira, a mesma busca que expôs o problema não retornava mais resultados, sinal de que a exposição foi de alguma forma remediada. Quem já tinha um link salvo, porém, ainda consegue acessá-lo, e o conteúdo pode continuar em caches e arquivos de terceiros.
O problema não é exclusivo do Claude. No ano passado, cerca de 100 mil conversas do ChatGPT podiam ser encontradas no Google, o que levou a OpenAI a desativar o recurso na época. A mesma falha de design se repetindo em chatbots diferentes, que tratam o clique em “compartilhar” como consentimento para publicar no mundo todo.
Quem usa o Claude e já compartilhou conversas pode revisar e revogar esses links em Configurações, depois Privacidade, depois Conversas Compartilhadas.





