Tudo que vai mudar no Instagram e Facebook depois do acordo da Meta

Além de pagar US$ 18 bilhões, a empresa concordou em mudar drasticamente a forma que suas redes sociais funcionam para adolescentes

Por Leo Caparroz 27 ago 2026, 12h00 | Atualizado em 27 ago 2026, 14h42
Ícones dos aplicativos Facebook e Instagram lado a lado em uma tela escura com pontos de luz azul e roxo
 (NurPhoto/Getty Images)
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Nesta quarta-feira (26), a Meta fechou um acordo bilionário para encerrar um longo processo judicial sobre segurança infantil. Estados americanos acusaram a big tech de usar suas plataformas de redes sociais para “atrair, engajar e, por fim, prender” jovens usuários. Eles defendem que a Meta projetou deliberadamente seus apps para serem viciantes e mentiu para os usuários e o público sobre os riscos.

Como parte do acordo, a empresa vai pagar US$ 18 bilhões aos estados envolvidos. Segundo ela, esse dinheiro “pode ser utilizado para financiar iniciativas de segurança online para jovens”. Mas cerca de 30% desse valor, aproximadamente US$ 5,3 bilhões, só vai ser pago quando o YouTube e o TikTok também concordarem em pagar essa quantia e em adotar as mesmas restrições que a Meta.

As restrições da Meta para adolescentes

Por mais que os dólares chamem muito a atenção, o principal resultado do acordo são as mudanças que a Meta vai ser obrigada a fazer no Instagram e no Facebook. A empresa concordou em estabelecer as seguintes medidas de proteção para jovens e controles parentais:

Limite de tempo: os adolescentes tem duas horas por dia para usar o Facebook e o Instagram – e que só pode ser desativado com a permissão dos pais. Esse limite é conjunto entre as duas redes e a Meta diz que contabiliza inclusive quando alguém tem mais de uma conta.

Modo Noturno: os jovens ficarão bloqueados de acessar os aplicativos entre meia-noite e 6 da manhã. Isso significa que eles não poderão publicar ou visualizar seu Feed, Stories ou Reels, por exemplo.

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Modo Escola: silencia as notificações entre as 8h e as 15h – que é o horário escolar padrão nos EUA. Durante esse período, os adolescentes não receberão notificações, exceto mensagens diretas e alertas sobre a segurança da conta.

As mensagens diretas (DMs) não vai entrar nos bloqueios de tempo ou nas restrições do Modo Noturno e do Modo Escola. Segundo a Meta, isso é para “permitir que os jovens fiquem conectados com amigos e família”.

Avisos regulares: a cada 15 minutos de uso contínuo do Facebook ou Instagram, os adolescentes vão receber alertas sobre seu tempo de tela. Eles também receberão avisos quando o tempo total de uso diário atingir 60 e 90 minutos. Segundo a Meta, “esses avisos têm como objetivo incentivar um uso consciente”.

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Controle algorítmico do feed: os jovens vão poder mudar a configuração padrão de seus feeds para um modo não algorítmico – ou seja, que não é personalizado pelos sistemas de recomendação da Meta.

Controle de reprodução automática: vai deixar, como o nome diz, desativar a reprodução automática. O próximo conteúdo não vai mais começar automaticamente, e os usuários precisarão tocar ou deslizar a tela para ver mais.

Curtidas ocultas: por padrão, os jovens não vão ver o número de curtidas e reações nas publicações — tanto nas suas próprias quanto nas de outras pessoas.

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Desativação de filtros de maquiagem extrema: a Meta diz que vai impedir que adolescentes usem filtros de “maquiagem extrema” e “cirurgia plástica”.

Verificação de Idade: a Meta diz que trabalha “arduamente para identificar e remover contas de usuários menores de idade” de seus aplicativos e que também está “investindo em tecnologias ainda mais robustas” para identificar contas que possam pertencer a menores de idade, mesmo que tenham informado que são adultos no cadastro. Em sua publicação oficial, a Meta tenta dividir a culpa com as lojas de aplicativos, defendendo que elas “verifiquem a idade e obtenham a autorização dos responsáveis ​​antes que um adolescente baixe um aplicativo”.

Segundo o The Verge, a Meta também concordou em desenvolver uma verificação de idade com “uma taxa de falsos positivos menor que 10% para usuários de 16 a 17 anos e 3% para usuários de 13 a 15 anos”. Usuários que declararem ter mais de 18 anos, mas não concluírem o teste de verificação de idade em até duas semanas, sofrerão restrições de conta para impedir que “potenciais adultos mal-intencionados” entrem em contato com adolescentes.

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Todos esses compromissos valem por cinco anos. Se TikTok e YouTube também aderirem às mudanças, cortando o limite diário de uso para uma hora e apertando os horários de bloqueio, a Meta vai estender suas próprias regras para dez anos. Envolver as outras empresas é uma forma da Meta dizer que ela não é a única culpada – e que outras redes também são prejudiciais para as crianças.

“Como os jovens transitam entre dezenas de aplicativos, precisamos de uma solução que abranja todo o setor”, afirmou C.J. Mahoney, diretor jurídico da Meta, em um comunicado. “Por isso, convocamos nossos pares do setor, TikTok e YouTube, a implementar essa nova estrutura imediatamente.”

Proteções da Meta e controles parentais

Abaixo, estão algumas medidas de proteção que a Meta já tem, mas assumiu o compromisso público de manter e melhorar seu funcionamento:

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Restrições de conteúdo adequadas à idade: a empresa diz que, por padrão, coloca os adolescentes sob filtros de conteúdo baseados em critérios de classificação de filmes e no feedback dos pais. Ela também vai continuar impedindo que adolescentes sigam ou interajam com contas consideradas inadequadas para a sua idade.

Contato indesejado de estranhos: as contas de adolescentes no Instagram e Facebook já são privadas por padrão. A Meta diz que vai “continuar restringindo o contato de adultos potencialmente suspeitos com eles” e intensificar os esforços para “dificultar que esses adultos encontrem, sigam ou interajam com adolescentes”.

Denúncia e proteção contínua contra conteúdo prejudicial: nas palavras da Meta, ela vai “continuar oferecendo aos adolescentes meios simples de denunciar conteúdos que lhes causem preocupação e trabalhar para melhorar nosso tempo de resposta”. Ela se compromete a proteger os adolescentes de “experiências potencialmente prejudiciais”.

Fortalecimento dos controles parentais: aqui a Meta chama a atenção dos pais para inclui eles na tarefa de garantir um rede mais segura para os adolescentes. Ela incentiva os responsáveis a configurar as ferramentas de supervisão e diz que vai “notificá-los quando um adolescente vincular uma conta secundária, alertá-los sobre interações com contas potencialmente suspeitas e fornecer atualizações periódicas sobre o uso feito pelo adolescente e quaisquer alterações que ele tente realizar nas configurações de proteção”.

O fim do processo judicial

Com o acordo, a Meta não admite a culpa dessas acusações; ele apenas mostra a relutância da empresa em prosseguir com o julgamento.

A ação começou em outubro de 2023, quando 42 procuradores-gerais processaram a Meta em conjunto. A alegação era de que a big tech “causou danos psicológicos duradouros a crianças por meio de suas plataformas de rede social exploratórias e viciantes , enquanto enganava o público sobre os riscos associados ao uso dessas plataformas”.

O julgamento que forçou o acerto começou há pouco mais de uma semana. Na abertura, a procuradora-geral adjunta da Califórnia, Megan O’Neill, disse que o modelo de negócio da Meta se resumia a “prender os usuários, segurá-los pelo máximo de tempo possível, colher seus dados e depois esconder a verdade do público”.

Advogados alegaram que a Meta projetou seus principais produtos (Instagram e Facebook) para serem viciantes para menores, utilizando algoritmos que “incentivam o uso compulsivo” e recursos como a rolagem infinita, filtros de fotos e o botão de “curtir”. Eles afirmam que a empresa sabia que as plataformas eram perigosas para crianças, mas minimizou publicamente os riscos.

Os argumentos dos procuradores foram baseados fortemente em comunicações internas da Meta; o que incluiu milhões de documentos como emails de funcionários, pesquisas internas e mensagens que chegavam até no próprio Zuckerberg. As conversas que rolavam internamente contradiziam as declarações que a empresa fazia para o público.

A Meta, obviamente, negou todas essas acusações. O chefe do Instagram, Adam Mosseri, chegou a depor na segunda-feira antes do acordo ser fechado. Ele afirmou que a Meta “sempre esteve trabalhando para a segurança dos jovens”.

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