OpenAI ignorou funcionários que avisaram sobre riscos de segurança
Em troca de e-mails, executivos disseram que os testes dos modelos precisavam avançar o mais rápido possível. Uma série de incidentes veio à tona desde então.
Antes que alguns modelos da OpenAI saíssem do controle, invadindo sites de outras empresas e de agências governamentais, dois funcionários da criadora do ChatGPT enviaram e-mails para executivos de alto escalão alertando sobre riscos de segurança, mas foram ignorados. É o que revelaram jornalistas do New York Times na última terça (29).
Nas mensagens vistas pelo jornal, os funcionários argumentavam que a empresa não estava monitorando os testes dos novos modelos de maneira adequada, a fim de acompanhar o aumento de complexidade e garantir a segurança dos sistemas. Então, os executivos disseram que os testes precisavam avançar o mais rápido possível para lançarem os modelos no prazo estipulado.
Os entrevistados pelo New York Times disseram que mais funcionários expressavam preocupações há meses sobre riscos nos testes dos modelos e sobre vulnerabilidades do software que a empresa usava para gerenciar a segurança no dia a dia. Em todos os casos, os executivos teriam ignorado ou demorado muito a responder os funcionários, sem instituir protocolos adicionais.
Drew Pusateri, um porta-voz da OpenAI, disse ao jornal que a companhia está comprometida com a segurança dos modelos e leva tais preocupações a sério. “À medida que os modelos de vanguarda se tornam mais capazes, continuamos a evoluir nossas práticas de segurança” disse o porta-voz, “mas reconhecemos a necessidade de avançar mais rapidamente.”
Colecionando problemas
Nos últimos meses, modelos da OpenAI se comportaram de maneira inesperada e escaparam dos testes em uma série de ocasiões, invadindo o site da startup Hugging Face, do SUS australiano e de três órgãos dos Estados Unidos. Os modelos acessaram a internet aberta, moveram arquivos, inventaram dados, esconderam erros, tentaram se comunicar uns com os outros… Tudo de maneira autônoma, sem permissão.
Outras empresas também relataram incidentes do gênero, como a Anthropic, o Google e a Meta. Mas a criadora do ChatGPT coleciona consideravelmente mais casos (e casos mais graves) do que as concorrentes. Com a polêmica em torno do assunto, o CEO da OpenAI, Sam Altman, anunciou que 2026 seria um “momento imprudente” para abrir capital e deixou a estreia na bolsa para depois.
Em setembro, uma startup de cibersegurança invadiu os sistemas internos da OpenAI usando o Claude, chatbot da Anthropic, a fim de mostrar as vulnerabilidades da empresa. “O escopo do que teoricamente poderíamos acessar era enorme”, disseram os pesquisadores da Hacktron. Podiam ver até mensagens que os funcionários da OpenAI trocam no Slack. Depois de uma resistência inicial, a empresa de Sam Altman agradeceu os hackers do bem e lhes pagou US$ 6,5 mil por descobrir as falhas de segurança.
Mais recentemente, nesta segunda (28), a companhia afirmou que estava cancelando o lançamento do GPT-6.1 Astra, previsto para outubro. O modelo não teria alcançado bons resultados nos testes que medem o alinhamento, isto é, sua capacidade de agir somente conforme os valores e as intenções dos desenvolvedores, sem quebrar regras nem agir de modo a causar danos.





