Latinas IA: agente digital orienta mulheres vítimas de ataques virtuais

Além de dicas práticas para proteger contas e dados pessoais, a ferramenta identifica golpes e encontra organizações de apoio em qualquer hora do dia.

Por Izabel Duva Rapoport 28 jul 2026, 21h00 | Atualizado em 29 jul 2026, 00h48
Ilustração de um notebook rosa com braços e uma boca com dentes afiados saindo da tela, simbolizando cyberbullying. Mãos escuras estendem-se para fora, uma com um triângulo de alerta. Balões de fala com símbolos de raiva, polegar para baixo e um rosto de demônio flutuam ao redor, sobre um fundo rosa e azul com códigos binários
 (DrAfter123/Getty Images)
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A violência de gênero no ambiente digital está crescendo. Dados do Ministério das Mulheres revelam que, entre janeiro e maio deste ano, a Central de Atendimento à Mulher registrou 16.725 denúncias sobre ataques virtuais, enquanto, no mesmo período do ano passado, foram 5.795 – um aumento de 188,6% em um ano.

“Nos últimos anos, percebemos que os ataques virtuais se tornaram mais estruturados e rápidos”, afirma Marcelle Chagas, coordenadora geral da Rede de Jornalistas Pretos pela Diversidade na Comunicação (Rede JP), que acaba de lançar o Latinas, uma plataforma de inteligência artificial voltada ao apoio e à proteção de mulheres em situação de vulnerabilidade na América Latina.

A ferramenta funciona como um ambiente integrado de orientação e resposta, reunindo recursos de informação confiável, além de conectar usuárias a fontes verificadas e conteúdos de checagem e oferecer guias práticos de segurança digital, adaptados a diferentes contextos de risco. “Criamos uma estrutura permanente de apoio para que as vítimas não enfrentem a violência digital sozinhas”, diz.

Desenvolvido em parceria com o Meedan e operado pela Suwali, especialistas no assunto, o processo de aprimoramento da tecnologia é contínuo. “A maioria das ferramentas de IA disponíveis hoje foi produzida com referências que nem sempre refletem a realidade das mulheres latino-americanas”, destaca a jornalista brasileira. “O Latinas nasceu justamente para preencher essa lacuna, oferecendo um suporte construído a partir dos contextos culturais e linguísticos da nossa região”. Isso, segundo Marcelle, torna as orientações mais precisas e permite responder com mais rapidez às situações de violências como essas. 

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Formação gratuita em segurança digital

O lançamento acontece junto com a nova e segunda edição da Rede de Proteção Digital para Comunicadoras Negras (REPCONE), um programa de formação em segurança digital para mulheres, que concentra jornalistas, pesquisadoras, ativistas e lideranças comunitárias de diversos países latino-americanos para ensinar, na prática, como prevenir invasões de contas, reagir a ataques virtuais e fortalecer a segurança digital. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas até 5 de agosto, por meio deste link.

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A cartilha realizada ao longo da primeira edição do programa está disponível em arquivo para download: “Proteção Digital para Comunicadoras Negras na América Latina”. O material orienta como agir em situações de vazamento de dados, perseguição, assédio e campanhas coordenadas de desinformação, além de reunir protocolos de segurança digital e recomendações para o cuidado com a saúde mental.

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