A inteligência artificial está deixando as crianças menos criativas?
Usada para criar desenhos e histórias, a IA pode gerar comparação, insegurança e dependência, mas também estimular a imaginação e enriquecer a aprendizagem.
De um lado, ela serve como ferramenta para inspirar ideias e estimular uma criança entre a criar seus próprios desenhos, histórias e outras atividades artísticas. Do outro, ela pode limitar o desenvolvimento de habilidades importantes nessa fase da vida. Tudo depende de como a inteligência artificial é utilizada. “A criatividade infantil é construída ao longo de um processo que envolve experimentação, tentativa e erro, desenvolvimento de habilidades motoras e cognitivas, além da capacidade de lidar com desafios e frustrações”, afirma Renata Roma, psicoterapeuta e pesquisadora da University of Saskatchewan, no Canadá.
É justamente nesse percurso, segundo a especialista, que a criança aprende a modificar ideias, buscar soluções e construir algo coerente a ela. “Se a IA assume esse papel e entrega tudo pronto, a criança perde oportunidades de aprendizagem”. Nesse contexto, a supervisão de pais e educadores pode garantir que o uso da ferramenta seja intencional e adequado à fase de desenvolvimento. “Mais do que buscar resultados prontos ou comparações com padrões muitas vezes inalcançáveis produzidos pela IA, o foco deve estar no processo criativo da própria criança, estimulando a tecnologia apenas como complemento e se fizer sentido”.
Além disso, Renata orienta valorizar o que ela produz, reconhecendo esforço, criatividade e evolução. “O incentivo fortalece a confiança, a autonomia e o prazer em criar, mostrando que o valor não está só no final, mas em todo o processo envolvido”.
O risco da dependência
Um alerta surge quando a criança começa a acreditar que a IA produz resultados melhores do que ela conseguiria sozinha. “Ao comparar constantemente suas criações com as geradas pela IA, ela pode desenvolver a percepção de que só é capaz de criar com a ajuda da tecnologia, o que pode afetar sua confiança e autonomia”.
Na visão da psicoterapeuta, alguns sinais merecem atenção por parte das famílias, como a recusa em realizar atividades sem o auxílio da IA, frustração excessiva ou irritação quando não pode utilizá-la e insegurança em relação às próprias habilidades. “Esses comportamentos podem indicar uma dependência da tecnologia e a necessidade de estabelecer limites”, afirma.
Já o uso saudável é percebido quando a tecnologia é vista como uma ferramenta de apoio, e não como substituta da criatividade da criança. “Afinal, o objetivo deve ser ampliar a curiosidade e o engajamento e não levar a criança a acreditar que ela é menos capaz do que a tecnologia”.





