A inteligência artificial está deixando as crianças menos criativas?

Usada para criar desenhos e histórias, a IA pode gerar comparação, insegurança e dependência, mas também estimular a imaginação e enriquecer a aprendizagem. 

Por Izabel Duva Rapoport 11 ago 2026, 15h00 | Atualizado em 11 ago 2026, 18h42
Mãos de criança desenhando em papel laranja com caneta roxa, sobre uma mesa de madeira cheia de materiais de arte como lápis de cor, tesoura, cola e papéis coloridos, com um livro aberto ao lado
 (Compagnons/Unsplash)
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De um lado, ela serve como ferramenta para inspirar ideias e estimular uma criança entre a criar seus próprios desenhos, histórias e outras atividades artísticas. Do outro, ela pode limitar o desenvolvimento de habilidades importantes nessa fase da vida. Tudo depende de como a inteligência artificial é utilizada. “A criatividade infantil é construída ao longo de um processo que envolve experimentação, tentativa e erro, desenvolvimento de habilidades motoras e cognitivas, além da capacidade de lidar com desafios e frustrações”, afirma Renata Roma, psicoterapeuta e pesquisadora da University of Saskatchewan, no Canadá.

É justamente nesse percurso, segundo a especialista, que a criança aprende a modificar ideias, buscar soluções e construir algo coerente a ela. “Se a IA assume esse papel e entrega tudo pronto, a criança perde oportunidades de aprendizagem”. Nesse contexto, a supervisão de pais e educadores pode garantir que o uso da ferramenta seja intencional e adequado à fase de desenvolvimento. “Mais do que buscar resultados prontos ou comparações com padrões muitas vezes inalcançáveis produzidos pela IA, o foco deve estar no processo criativo da própria criança, estimulando a tecnologia apenas como complemento e se fizer sentido”.

Além disso, Renata orienta valorizar o que ela produz, reconhecendo esforço, criatividade e evolução. “O incentivo fortalece a confiança, a autonomia e o prazer em criar, mostrando que o valor não está só no final, mas em todo o processo envolvido”.

O risco da dependência

Um alerta surge quando a criança começa a acreditar que a IA produz resultados melhores do que ela conseguiria sozinha. “Ao comparar constantemente suas criações com as geradas pela IA, ela pode desenvolver a percepção de que só é capaz de criar com a ajuda da tecnologia, o que pode afetar sua confiança e autonomia”.

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Na visão da psicoterapeuta, alguns sinais merecem atenção por parte das famílias, como a recusa em realizar atividades sem o auxílio da IA, frustração excessiva ou irritação quando não pode utilizá-la e insegurança em relação às próprias habilidades. “Esses comportamentos podem indicar uma dependência da tecnologia e a necessidade de estabelecer limites”, afirma.

Já o uso saudável é percebido quando a tecnologia é vista como uma ferramenta de apoio, e não como substituta da criatividade da criança. “Afinal, o objetivo deve ser ampliar a curiosidade e o engajamento e não levar a criança a acreditar que ela é menos capaz do que a tecnologia”.

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Um “jardim de infância” pode melhorar o aprendizado de IAs 

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