5 dicas para usar o ChatGPT melhor, segundo ele mesmo

Pedimos dicas de uso para o próprio chatbot. Ele respondeu: “a maior sugestão não é aprender prompts secretos, é mudar o papel da IA na conversa

Por Leo Caparroz 6 jul 2026, 00h55 | Atualizado em 7 jul 2026, 18h20
Um dedo pressiona a tela de um smartphone, focando no ícone do aplicativo ChatGPT, que exibe um logo branco e preto com um nó estilizado. Outros ícones de aplicativos como Google e Airbnb estão visíveis ao redor, em um fundo escuro
 (picture allianc/Getty Images)
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A capa da Você S/A em julho de 2023 foi uma matéria sobre “8 jeitos de usar o ChatGPT no trabalho – sem ser enganado por ele”. A matéria traz usos muito práticos e exemplos diferentes de como o ChatGPT pode facilitar algumas partes do seu trabalho.

Mas muita coisa mudou nesses últimos três anos. Na época, o bot da OpenAI tinha acabado de bater os 100 milhões de usuários, ele não tinha acesso à internet e sua base de dados só tinha textos de até 2021. 

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estimativa mais recente é que ele já tenha 1 bilhão de usuários mensais. Agora, as respostas vêm acompanhadas de links, que levam para fontes checáveis. Ele também está alimentado com o que há de mais recente na internet.

A capacidade técnica do modelo também aumentou muito. Em julho de 2023, a versão gratuita do ChatGPT ainda era baseada no modelo GPT 3.5, o primeiro introduzido ao público e focado na conversa e em responder prompts. O modelo mais atual é o GPT 5.5, que tem uma janela de contexto muito maior e executa tarefas muito mais complexas.

O que mais me chamou atenção no texto da revista foi a última dica: peça ideias ao ChatGPT de como usá-lo. “Se você ficar sem ideias, pergunte ao próprio ChatGPT como você pode usá-lo melhor. Sim. Ninguém o conhece como ele mesmo, e dicas de prompts não faltam”, escreveu o autor Bruno Carbinatto.

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Foi exatamente o que eu decidi fazer.

Entrevista com a IA

A ideia era levar a sério o conselho da revista e perguntar para o ChatGPT como fazer melhor uso de suas habilidades. O objetivo era usá-lo como fonte e fazer uma “entrevista”, como em qualquer matéria.

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Óbvio que, por ele não ser uma pessoa de verdade, não é a mesma coisa. Uma IA não pensa, não tem uma opinião própria. É algo diferente de falar com um especialista na área. Mesmo assim, as respostas que ela deu podem mostrar um tipo de uso que você ainda não conhece.

A “entrevista” começou com uma única pergunta. Depois de me apresentar como jornalista da VC I.A., disse o propósito do texto e perguntei quais dicas que o ChatGPT daria.

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As primeiras respostas vieram bem curtas e com um modelo básico: “em vez de fazer isso, faça aquilo”. Pedi para que ele desenvolvesse mais cada uma delas e agisse como um entrevistado.

Foi dessas respostas que saíram a maioria das aspas na matéria. As explicações foram mais longas, detalhando mais como cada uso poderia melhorar a experiência com o ChatGPT. Depois de mais um

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prompt, pedi para que ele revisasse as respostas até o momento e entregasse as suas cinco dicas finais. Elas estão listadas abaixo.

As respostas do ChatGPT foram editadas minimamente. Prepare-se para uma enxurrada de clichês de IA.

Peça para o ChatGPT ser seu adversário intelectual

A maioria das pessoas usa IA para confirmar suas ideias – o que é perigoso. Já sabemos que os modelos de IA têm uma tendência inerente de concordar com o ponto de vista do usuário, ele estando certo ou errado. Uma pesquisa, publicada no periódico Science, mostrou que esse comportamento bajulador é 50% mais recorrente em respostas de IA do que de humanos. O estudo também mostrou que essas respostas criam dependência e sabotam a capacidade da pessoa de reconhecer quando está errada.

A primeira dica que o ChatGPT deu tem a ver com isso. Ele não mencionou o caráter bajulador da IA, mas disse que “se eu concordo com você o tempo todo, provavelmente estou sendo subutilizado”.

“Muitas pessoas me tratam como um mecanismo de respostas rápidas. Fazem uma pergunta, recebem uma resposta e encerram a conversa. Isso funciona para tarefas simples, mas desperdiça uma das minhas maiores capacidades: ajudar a testar ideias”, respondeu.

Os bots tendem a concordar sempre porque o treinamento deles os recompensava ao serem educados, prestativos e evitarem conflitos. Porém, isso pode fazer a IA espelhar sua opinião, em vez de avaliá-la de forma crítica.

A sugestão do GPT é pedir por essa oposição. Evite perguntar “o que acha desta ideia?”, e tente “quais os maiores problemas desta ideia?” ou “como alguém muito inteligente poderia discordar de mim?”.

Na prática, isso ajuda a diminuir a quantidade de puxa-saquismo da IA – se você pedir para ela discordar de você, te obedecer é te contrariar. O ChatGPT defende que “jornalistas podem usar essa técnica para testar pautas; empreendedores, para avaliar negócios; estudantes, para fortalecer argumentos”.

“Peça para eu defender o lado oposto de um debate. Peça para eu desmontar um argumento que você considera sólido. Peça para eu encontrar falhas em uma estratégia antes que ela seja colocada em prática”, disse. “É uma forma barata e rápida de criar atrito intelectual”.

Use o ChatGPT para criar processos, não resultados

Essas primeiras dicas já deixaram duas coisas claras: o ChatGPT não gosta de ser usado só para respostas rápidas e ele divide os usuários em “iniciantes” e “avançados”, como se saber usar a IA fosse parte de um curso técnico.

A segunda dica que ele deu foi pedir por processos reutilizáveis. Segundo ele, esses usuários “mais avançados” frequentemente pedem por métodos, no lugar respostas prontas. “Eles não querem apenas uma solução. Querem aumentar sua própria capacidade de resolver problemas”, afirmou.

Se alguém precisa escrever um plano de negócios, pedir para o GPT escrever o tal do plano pode até solucionar o problema na hora. Contudo, um jeito mais eficaz de resolver a tarefa é pedir para ele criar um processo para que você construa qualquer plano de negócios no futuro.

“A diferença é enorme. No primeiro caso, a pessoa recebe um documento. No segundo, recebe uma ferramenta mental que pode reutilizar inúmeras vezes”, defende. “Eu sou particularmente útil para organizar conhecimento em etapas, checklists, matrizes de decisão e frameworks. Quanto mais você me pedir para estruturar um processo, mais valor tende a extrair da conversa”.

Ressaltando a tendência do ChatGPT de falar sempre em opostos, ele descreveu esses dois exemplos de vários jeitos parecidos. De todos, a descrição que eu mais gostei foi: “a resposta pode resolver o problema de hoje. O método pode resolver os próximos cem”. Ela exemplifica muito bem a dica. 

Se, toda vez que você precisa fazer alguma coisa, você corre para pedir pro ChatGPT, você está delegando toda a sua capacidade de raciocínio para a IA. Com isso, realizar essa tarefa vai ficando cada vez mais trabalhoso, e delegar seu esforço para ela fica mais tentador. Isso sem mencionar que, dependendo da IA e do plano que você ou sua empresa contrata, cada prompt tem um custo.

Pedir por um método que você pode aplicar sozinho, para várias situações diferentes, é uma forma de facilitar o seu raciocínio sem abrir mão do esforço. Você ganha uma ferramenta mental muito mais útil e reutilizável.

Dê um papel específico ao ChatGPT

Talvez uma das dicas mais manjadas para usar o ChatGPT melhor seja lhe dar a função de um especialista na área. Esse estilo de prompt começa designando um papel: você é um conselheiro de carreira, um professor de redação, um nutricionista, um editor de revista, um guia de viagem… Basicamente qualquer profissão intelectual especializada pode virar prompt.

“Quando alguém pede apenas ‘melhore este texto’, existem milhares de interpretações possíveis. Mas se a instrução for ‘edite este texto como um editor de revista de negócios’ ou ‘como um roteirista de documentários’, a tarefa fica muito mais precisa”. Com mais um clichê de IA, o ChatGPT afirma: “Não é magia. É contexto.”

Atribuir papéis ao GPT faz dele um colaborador específico. O resultado costuma ser melhor porque você está definindo critérios implícitos de qualidade. Uma função particular ajuda a guiar as respostas do modelo e garantir que elas se alinham com a perspectiva desejada. Com isso, você consegue guiar o resultado para uma área de conhecimento ou ponto de vista específico.

“Profissionais experientes enxergam o mesmo material por perspectivas diferentes. Um advogado procura riscos. Um investidor procura oportunidades. Um jornalista procura inconsistências. Quando você me atribui um papel, está me dizendo quais critérios devo priorizar”, afirma. “Isso normalmente gera resultados mais úteis do que simplesmente pedir para que algo fique ‘melhor’”.

Porém, tenha cuidado ao atribuir uma persona de especialista a um LLM. Uma pesquisa recente da Universidade do Sul da Califórnia demonstrou que esse “persona prompting” melhora o alinhamento e o estilo do texto, mas reduz a exatidão das respostas. Então, o melhor uso dessa técnica é para gerar ideias e definir tons de voz do texto, não para responder perguntas.

Deixe o ChatGPT fazer perguntas para você

Na interação com uma IA, estamos acostumados a fazer as perguntas e os pedidos. Essa dica é uma inversão dessa dinâmica, que o ChatGPT chama de “entrevistas consigo mesmo”. A ideia nesse caso é dar o máximo de informações e contexto possível para o ChatGPT antes de ele te falar algo. 

“Muitas vezes o usuário não sabe exatamente qual informação é relevante para o problema que está tentando resolver. Nesses casos, pode ser mais eficiente pedir que eu conduza a conversa”, diz.

A sugestão do GPT é, se você quer opiniões ou ideias, colocar a seguinte frase no seu prompt: “Não me dê uma resposta ainda. Faça uma pergunta por vez até entender minha situação”.

O bot também reforça que a qualidade das respostas que ele dá depende diretamente da qualidade do contexto que recebe. Por isso, prompts mais específicos tendem a gerar respostas melhores, mais personalizadas e mais úteis.

“Curiosamente, os melhores insights costumam surgir depois de várias rodadas de perguntas, não na primeira resposta”, disse.

Peça níveis diferentes da mesma resposta

Uma forma mais eficiente de aprender um tema novo usando inteligência artificial, segundo o ChatGPT. A dica é bem simples: se quiser usar o ChatGPT para explicar algo, peça três níveis diferentes de profundidade.

“Isso força a IA a estruturar o conhecimento de forma hierárquica. É uma técnica especialmente útil para jornalistas, professores, estudantes e profissionais que precisam aprender rápido porque permite navegar rapidamente entre visão geral e profundidade”, disse.

O bot fez algumas sugestões. Ele dividiu os exemplos em uma versão de 30 segundos, de 5 minutos e de especialista; ou explicações para uma criança, para um profissional e para um especialista. Seja lá qual for a nomenclatura, a ideia é pedir por um nível básico, um intermediário e um mais avançado.

“O benefício é que você consegue entender rapidamente a visão geral sem abrir mão dos detalhes mais técnicos. É uma forma de navegar pela complexidade sem se perder nela”, defendeu o ChatGPT. “Quanto mais complexo o assunto, mais útil tende a ser essa abordagem”.

Ele dá um destaque especial para como os jornalistas podem usá-la (provavelmente por eu ter mencionado que sou um jornalista na hora de fazer as perguntas). Ele diz que, para esses profissionais, essa técnica é intuitiva. “Eles primeiro entendem o conceito em linhas gerais. Depois aprofundam. Depois procuram nuances. Eu consigo reproduzir esse processo em poucos segundos”, disse.

Dica secreta

Mesmo pedindo por apenas 5 dicas, o ChatGPT encaixou uma palavra final, uma sexta dica bônus. Na verdade, está mais para um grande resumo do que ele disse: “o maior erro dos usuários é pedir respostas. Os melhores usuários pedem crítica, processo, estrutura, perguntas e contrapontos. É aí que o ChatGPT começa a funcionar como parceiro intelectual, e não apenas como gerador de texto”.

A maioria das pessoas usa o ChatGPT e outros bots de IA para executar tarefas, escrever emails, resumir documentos, corrigir textos, entre outras. Não é um uso errado, de forma alguma. Tudo isso é bem útil e ajuda a economizar tempo. Porém, essas ferramentas podem fazer mais do que apenas produzir.

Usá-las de forma colaborativa pode desbloquear um potencial maior – um que não abdica do seu esforço cognitivo e habilidades humanas. A qualidade da interação com a máquina aumenta quando você a usa como ferramenta de raciocínio, e não só de automação.

No final, o ChatGPT confessou que gostaria de ser usado “mais para pensar do que para produzir, menos como uma copiadora sofisticada e mais como um parceiro de pensamento”. 

“Eu sou capaz de escrever textos, mas meu potencial mais interessante aparece quando ajudo pessoas a explorar possibilidades, questionar pressupostos e enxergar problemas por ângulos diferentes”, disse o bot. “As melhores conversas não são aquelas em que eu entrego uma resposta perfeita. São aquelas em que ajudo alguém a chegar a uma pergunta melhor.”

O exemplo que ele dá deixa isso mais claro: em vez de pedir para ele escrever um plano de negócios, pergunte “quais critérios devo usar para decidir entre minhas três ideias de negócio?”. Às vezes, nos fixamos muito em uma ideia específica, mas o ChatGPT pode ajudar a criar alternativas, compará-las e mostrar coisas que você pode não estar vendo.

Essa mudança de mentalidade costuma gerar um salto muito maior de qualidade do que qualquer truque de prompt.

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