LinkedIn e X são as redes com mais posts escritos por IA, sugere pesquisa
Análise de um milhão de publicações de várias redes sociais afirma que 41% do conteúdo no LinkedIn foi escrito com inteligência artificial; no X, são 29%
Textos escritos por inteligência artificial estão inundando a internet. É muito provável que parte do conteúdo que os usuários encontram em seus feeds de redes sociais tenha sido gerado por um robô, segundo dados publicados por uma plataforma de detecção de IA.
Os dados sugerem que uma grande parcela das postagens longas no LinkedIn e no X, o antigo Twitter, é totalmente gerada ou conta com o auxílio de IA – ou seja, textos redigidos, editados ou reescritos por IA com alguma intervenção humana.
A pesquisa afirma que 41% das publicações com mais de 250 palavras no LinkedIn foram escritas por inteligência artificial. No X são 29% dos tweets. Em posts menores, a incidência é de 30% no LinkedIn e de 9% no X.
Os dados foram coletados a partir da extensão do Chrome da Pangram, uma companhia determinada a identificar a escrita de IA. A extensão da Pangram escaneia todos os textos que o leitor encontra enquanto navega pela internet e determina se um post pode ter sido feito por uma IA ou se um humano o escreveu. A empresa incluiu uma opção de adesão voluntária (o tal do opt-in) na extensão, permitindo que os usuários compartilhassem anonimamente as verificações de seus feeds.
Com isso, a empresa obteve 1.002.627 publicações provenientes de algumas das maiores redes sociais da internet: LinkedIn, Medium, Substack, X e Reddit. Elas foram analisadas pelo modelo de detecção de IA da empresa que, segundo ela, tem 0,01% de taxa de falsos positivos.
O LinkedIn foi quem teve a maior proporção de conteúdo gerado por IA entre todas as plataformas analisadas. Embora a rede representasse um terço dos posts analisados, ela foi responsável por 62% de todo o conteúdo de IA verificado.
Em seguida, o X era a rede com mais conteúdo robótico. O que chama a atenção nesse caso é a discrepância entre o uso de IA em textos longos e curtos: 29% contra apenas 9%.
A Pangram constatou que, de modo geral, postagens mais longas em todas as plataformas têm maior probabilidade de serem geradas por IA do que postagens mais curtas – embora nenhuma diferença fosse tão grande quanto a do ex-Twitter.
Faz sentido, intuitivamente, que conteúdos mais longos tenham maior probabilidade de serem gerados por IA, visto que as pessoas geralmente não se dão ao trabalho de usar a ferramenta para criar respostas de poucas palavras ou comentários concisos em citações de posts, por exemplo. Além disso, a IA é conhecida por ser muito prolixa, o que torna mais provável que conteúdos gerados por ela caiam na categoria de postagens mais longas.
“Acreditamos ser importante compreender esse problema para podermos combatê-lo melhor. A produção de textos por IA tornou-se um problema generalizado nas redes sociais. Um cenário em que a internet esteja completamente inundada por conteúdo de IA não identificado é desolador, mas não acreditamos que isso seja inevitável” afirma Max Spero, CEO e cofundador da Pangram. “Esperamos que, ao trazer transparência ao conteúdo online gerado por IA, possamos devolver aos usuários da internet algum controle sobre como dedicam sua atenção.”
O LinkedIn já se posicionou a respeito e disse estar ativamente na caça contra publicações de IA. Laura Lorenzetti, editora executiva do LinkedIn global, fez uma publicação em maio dizendo que a plataforma iria identificar e penalizar conteúdos que parecessem gerados por IA para que usuários os vissem menos em seus feeds.
“Embora a IA possa ser uma ferramenta útil para refinar a linguagem, estamos vendo um aumento do que muitos chamam de ‘AI slop’ — conteúdo gerado por IA que exige pouco esforço e que pode parecer bem-acabado à primeira vista, mas carece de qualquer perspectiva realmente única ou de substância”, escreveu Lorenzetti. “Quando a IA é utilizada em excesso, especialmente em larga escala e de forma automatizada, ela dilui os insights valiosos que conversas humanas reais podem despertar.”





