Desempenho do OpenAI Presence depende mais da base tecnológica do que da escolha da ferramenta
Sem dados confiáveis e estruturados, os agentes corporativos da plataforma acessam informações incompletas ou inconsistentes, comprometendo o resultado.
A OpenAI anunciou recentemente o Presence, plataforma que permite colocar agentes de Inteligência Artificial para executar tarefas em ambientes corporativos com acesso a sistemas internos e regras definidas pelas empresas. Para Éric Machado, CEO da Revna Tecnologia, a novidade reforça o desafio das empresas integrarem os modelos generativos às operações de negócios, ao invés de apenas experimentá-los. “Nesse contexto, cresce o debate em torno da maturidade digital das organizações e da necessidade de estruturar dados, modernizar ERPs, integrar sistemas e preparar a infraestrutura antes de investir em IA”, sinaliza.
Não por acaso, o relatório The State of AI 2025, da McKinsey, mostra que a adoção da IA cresce à medida que o mercado encontra dificuldades para escalar projetos e capturar valor. Além disso, a Gartner estima que mais de 80% das empresas já terão utilizado APIs, modelos ou aplicações de IA generativa até o fim de 2026, enquanto a IDC (International Data Corporation) aponta que esse avanço vem impulsionando investimentos paralelos em infraestrutura de dados, computação em nuvem e plataformas corporativas.
Esses indicadores, segundo o especialista, revelam não só que a discussão em torno da IA amadureceu, mas também que a chegada de plataformas como essas evidencia um desafio que muitas organizações ainda precisam superar. “A IA gera mais valor quando faz parte de uma estratégia de transformação digital”, afirma. “Sem dados confiáveis, processos estruturados e sistemas integrados, os agentes passam a ter acesso a informações incompletas ou inconsistentes, o que limita seu potencial e compromete os resultados”.
Mudança de abordagem
Na avaliação do CEO, hoje as empresas devem focar mais no problema do negócio que deve ser resolvido do que a ferramenta de IA que deve ser escolhida. O objetivo, ele explica, é mudar a abordagem priorizando a segurança e a governança de dados para a preparação à tecnologia. “Em muitos casos, os maiores ganhos vêm da integração entre sistemas, da qualificação dos dados, da modernização do ERP ou da migração para a nuvem”, lembra. “Quando esses fundamentos estão consolidados, a IA amplia produtividade, eficiência e qualidade na tomada de decisão”.
Uma pesquisa da PwC, citada por Éric, mostra que as organizações que alcançaram os melhores resultados com IA apostam na adoção de IA, mas não deixam de investir em governança de dados, transformação dos processos de negócio e capacitação das equipes. E chegada de plataformas como o Presence, na projeção do especialista, tende a acelerar esse processo de reflexão.
“Os agentes de IA representam uma evolução importante, mas também tornam mais evidente que a Inteligência Artificial deve ser consequência de uma estratégia de transformação digital, e não seu ponto de partida”, resume.





