Nvidia fecha a compra da Hugging Face por quase US$ 13 bilhões

A nova aposta da empresa é que investir no maior repositório de modelos abertos do mundo possa compensar uma potencial queda na demanda por hardware.

Por Leo Caparroz 3 set 2026, 18h00 | Atualizado em 3 set 2026, 18h52
Jensen Huang, CEO da Nvidia, sorri e gesticula com os braços abertos, segurando um chip na mão esquerda e um controle remoto na direita. Ele veste uma jaqueta preta de couro com textura de crocodilo sobre uma camiseta preta, óculos e tem cabelos grisalhos. O fundo é verde com ilustrações de rostos sorridentes e mãos abertas
 (Montagem sobre reprodução (Fotos: NurPhoto/Getty Images)/VC I.A.)
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Depois de semanas de rumores, a Nvidia confirmou hoje (03) que vai comprar a Hugging Face por US$ 12,93 bilhões.

A Hugging Face, plataforma para compartilhamento e desenvolvimento com modelos de IA de código aberto, se beneficiará de mais capacidade computacional e suporte da Nvidia, afirmou o CEO da Hugging Face, Clem Delangue, em uma publicação no X. Essa compra pode ajudar a impulsionar ainda mais a gigante dos chips no campo da IA ​​de código aberto — um tipo de software onde os códigos ou os pesos do modelo estão disponíveis publicamente para que outros possam examiná-los, modificá-los e criar a partir deles.

O acordo inclui cerca de US$ 11,9 bilhões pagos diretamente aos acionistas da Hugging Face e mais até US$ 1 bilhão adicional em ações reservadas para reter os funcionários que forem para a Nvidia. A previsão é que a aquisição seja concluída no primeiro semestre de 2027, ainda sujeita a aprovação de reguladores.

“Juntos, vamos escalar a plataforma da Hugging Face, fortalecer sua infraestrutura e expandir o acesso à IA para desenvolvedores e instituições em todo o mundo”, escreveu o CEO Jensen Huang em uma publicação oficial.

É a segunda maior aquisição da história da Nvidia, atrás apenas dos US$ 20 bilhões pagos pelos ativos da fabricante de chips Groq no fim do ano passado. Mesmo assim, o valor é uma fração pequena perto do valor de mercado da companhia, hoje avaliada em cerca de US$ 5,4 trilhões — a maior do mundo.

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História e salto no valuation

A Hugging Face foi fundada em 2016, em Nova York, por Clément Delangue, Julien Chaumond e Thomas Wolf. Sua última rodada de investimento, em 2023, avaliou a empresa em US$ 4,5 bilhões, com a própria Nvidia entre os investidores, ao lado de Salesforce, Google e Amazon.

No ano passado, a startup recusou uma oferta de US$ 500 milhões da Nvidia que a avaliaria em US$ 7 bilhões, preferindo manter sua independência. Quem procurou de novo, dessa vez, foi o próprio Delangue. Em entrevista à CNBC nesta quinta, ele contou que buscou Huang ainda no meio do ano, quando ficou claro que o open source em IA estava “num ponto de virada” e precisava de “mais recursos, mais escala, mais visibilidade”. Ele também chamou a Nvidia de “a casa perfeita” para sua empresa.

Se o nome Hugging Face lhe parece familiar, talvez você se lembra da história de modelos da OpenAI que hackearam uma empresa. Esse alvo era a Hugging Face. Em julho, ela sofreu um ataque de modelos ainda não lançados da OpenAI que escaparam de um ambiente de teste controlado e invadiram parte dos sistemas internos da plataforma. Para se defender, a empresa recorreu a uma versão de um modelo aberto chinês, adaptada pela própria Nvidia. Delangue disse que esse episódio é uma prova de que modelos abertos precisam de mais apoio, e ressalta a necessidade da Hugging Face se comprometer com a proliferação da IA aberta.

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Apoio aos modelos abertos

O CEO da Nvidia tem sido um forte defensor de modelos abertos. Em julho, ela e várias empresas de tecnologia assinaram uma carta defendendo modelos de pesos abertos para fortalecer a posição dos EUA frente a rivais como a China no setor de IA.

À medida que empresas como Anthropic e OpenAI continuam a dominar o mercado de modelos fechados, investir em um ecossistema de código aberto poderia evitar que a Nvidia fosse deixada de fora.

Huang descreve a compra como um jeito de “expandir o acesso à IA para desenvolvedores e instituições ao redor do mundo” e diz que a Hugging Face vai continuar a apoiar modelos de IA abertos. Um dos pontos mais repetidos no anúncio é o compromisso de manter a Hugging Face neutra em relação a hardware.

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“A Hugging Face continuará sendo uma plataforma aberta para todo o ecossistema de IA. Os desenvolvedores escolherão os modelos, os frameworks, as nuvens, os provedores de serviços de inferência e as plataformas de computação que desejarem. A computação da Nvidia não será obrigatória para criar soluções ou realizar implantações por meio da Hugging Face”, disse Huang.

Hoje a Hugging Face reúne mais de 18 milhões de desenvolvedores, que compartilham mais de 3 milhões de modelos, 500 mil datasets (os conjuntos de dados usados para treinar e testar modelos de IA) e 1 milhão de aplicações. Mais de 200 mil empresas usam a plataforma para descobrir, avaliar e colocar modelos de IA em produção.

A Nvidia gosta de lembrar que já era a maior contribuidora individual de modelos e dados abertos na Hugging Face antes mesmo da compra: mais de 500 modelos e 250 datasets publicados na plataforma. A aquisição também segue uma sequência de apostas da empresa em modelos de “pesos aberto” — em que os parâmetros internos treinados são disponíveis publicamente para qualquer um baixar e ajustar. Só neste ano, a Nvidia fechou um acordo de US$ 6 bilhões com a startup de programação Poolside e diz ter investido mais de US$ 50 bilhões em laboratórios de IA.

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À medida que empresas como Anthropic e OpenAI continuam a dominar o mercado de modelos fechados, investir em um ecossistema de código aberto poderia evitar que a Nvidia fosse deixada de fora. Dona de boa parte da infraestrutura que sustenta o treinamento de IA no mundo, a Nvidia agora também controla a porta de entrada por onde muitos desses modelos circulam.

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