Microsoft demite cerca de 4,8 mil funcionários e reestrutura a Xbox

Pressionada por gastos com IA, empresa anúncio uma reestruturação histórica. Maioria dos cortes são na Xbox e no setor comercial da empresa.

Por Leo Caparroz 8 jul 2026, 10h46
Fachada de um prédio moderno com janelas azuis espelhadas, exibindo o logotipo da Microsoft em branco e colorido. Há vegetação nos terraços e um guarda-sol branco visível
 (Or Hakim / Unsplash/Reprodução)
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A Microsoft anunciou nesta segunda-feira (6) o corte de aproximadamente 4.800 postos de trabalho, o que equivale a 2,1% do seu quadro global de funcionários. A rodada de demissões atinge principalmente a divisão Xbox e o setor comercial de vendas da empresa, e integra uma reestruturação mais ampla descrita como resposta à transformação acelerada provocada pela inteligência artificial.

A Xbox é, de longe, o setor mais afetado: foram 1.600 desligamentos imediatos, e a divisão de games deve somar 3.200 cortes até o fim do ano fiscal de 2027 – cerca de 20% de todo o quadro da Xbox. Como parte da reorganização, quatro estúdios da companhia (Compulsion Games, Double Fine Productions, Ninja Theory e Undead Labs) deixarão de operar sob controle direto da Microsoft. Alguns vão voltar à condição de estúdios independentes e outros passarão para novos proprietários. A empresa também vai reduzir as camadas de gestão do Xbox, hoje em 14 níveis, para no máximo cinco.

Em comunicado oficial aos funcionários, Amy Coleman, vice-presidente executiva e diretora de pessoas da Microsoft, afirmou que “nosso negócio está mudando porque o mundo ao redor dele está mudando”

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, destacando que o ritmo de transformação tecnológica é o mais rápido já visto pela executiva na empresa. “Companhias não tem o direito de escolher se o seu setor vai mudar; elas só podem escolher se vão mudar com ele”, afirmou.

Coleman fez questão de esclarecer que as vagas eliminadas

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“não estão sendo substituídas por IA”, ainda que reconheça que a tecnologia já está mudando a forma como o trabalho é realizado dentro da companhia.

Asha Sharma, CEO da divisão Xbox, foi mais direta sobre a saúde financeira da marca de games, afirmando que a empresa opera com

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“margens de 3 a 10 vezes menores” que as de concorrentes do setor. Segundo a executiva, a Xbox enfrenta ainda “a mais severa crise de hardware da sua história”, em referência à alta nos preços de componentes de memória, que encareceu consoles em meio à demanda já enfraquecida. Sharma chamou a reestruturação de “a maior da história da Xbox”.

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Os cortes acontecem em meio a um momento delicado para a Microsoft: as ações da empresa acumulam queda de quase 23% no primeiro semestre de 2026, o pior desempenho semestral desde 2022. A companhia também vem sendo pressionada por investidores a mostrar retorno sobre os bilhões investidos em infraestrutura de inteligência artificial – mais especificamente, dos US$ 190 bilhões só em 2026. Semana passada, eles anunciaram a unidade Frontier Company, uma iniciativa de US$ 2,5 bilhões voltada à implementação de IA corporativa.

A decisão da Microsoft se junta a uma ampla onda de demissões no setor de tecnologia, que já ultrapassa 150 mil postos eliminados apenas no primeiro semestre de 2026. Ela inclui cortes recentes em empresas como Meta, Amazon, Oracle e Cognizant.

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