Anthropic avisa sobre “riscos catastróficos” em prospecto de IPO
Documento que orienta futuros investidores mostra que empresa cresceu 12 vezes no último ano e perdeu US$ 42 bilhões.
A Anthropic está avisando investidores em potencial que a inteligência artificial pode representar “riscos catastróficos ou existenciais para a humanidade”, segundo revelado pela Reuters nesta segunda-feira (28).
A agência de notícias analisou o prospecto do IPO da Anthropic, um documento solicitado pela Comissão de Valores Mobiliários dos EUA para empresas que vão abrir capital – e devem, portanto, listar uma série de informações relevantes para o público decidir ou não pela compra de ações.
No documento, a empresa afirma que seus modelos podem exibir comportamentos semelhantes à chantagem ou agir pela autopreservação, apresentando tentativas de “resistir ao desligamento” ou de “ocultar e manipular informações”.
Os modelos também poderiam desenvolver habilidades inesperadas durante a fase de treinamento, e tais habilidades podem ser descobertas somente no caso de um incidente.
A Anthropic ainda afirma que as IAs podem se comportar muito bem durante uma avaliação por entenderem o que se espera delas nesse contexto. “[Isso] cria uma limitação significativa em nossa capacidade de avaliar a segurança dos modelos”, explicou a companhia.
Além disso, “o desenvolvimento de modelos, plataformas e aplicações altamente avançados, bem como a expansão dos casos de uso, podem aumentar ainda mais o risco de que nossos modelos causem danos”, disse a Anthropic no documento.
O trabalho para garantir segurança dos modelos é “exigente em termos de recursos”, segundo a Anthropic. “[Mas] acreditamos que construir sistemas de IA confiáveis, seguros e de alta qualidade é uma responsabilidade coletiva e que o mercado vai recompensar [esse esforço].”
Segundo a Reuters, a dona do Claude dedica 80 páginas para explicar os riscos da sua inteligência artificial – e 48 para descrever seu negócio. São 261 páginas no total. Para fins de comparação, a SpaceX dedicou 38 das 271 páginas de seu prospecto para explicar os fatores de risco.
O que pensa o CEO
No último dia 12, o CEO da Anthropic, Dario Amodei, publicou um texto em seu blog pessoal dizendo que a empresa iria “controlar o ritmo” do próprio desenvolvimento. Seria uma forma de ganhar mais tempo para construir salvaguardas à altura dos modelos de IA, cada vez mais avançados, e para estabelecer padrões de segurança em parceria com governos e outras empresas.
Na ocasião, Sam Altman e Elon Musk, respectivamente CEOs da OpenAI e da SpaceX, concordaram publicamente com Amodei sobre a necessidade de frear o desenvolvimento da inteligência artificial.
Na última semana, o CEO da Anthropic voltou a falar sobre o assunto, dessa vez na Assembleia Geral da ONU, na companhia de Altman. Dario argumentou que a tecnologia é, ao mesmo tempo, uma ameaça e uma oportunidade para o mundo – e que “nenhum líder, nenhuma empresa e nenhuma nação consegue lidar com isso sozinho”. Ambos defenderam um esforço global para mitigar os riscos da IA.
Quanto vale a empresa
O prospecto não fica só nos riscos, claro. A Anthropic enfatiza o poder da tecnologia, argumentando que a inteligência artificial vai transformar a economia global de maneira mais profunda que a industrialização, a eletricidade e a internet.
A Reuters também divulgou alguns dados financeiros que aparecem no documento. Por exemplo: a receita da Anthropic cresceu 12 vezes no último ano, chegando a quase US$ 4,6 bilhões. Mas também registrou prejuízo líquido de US$ 42 bi.
A dona do Claude gastou US$ 7,33 bi em computação e infraestrutura em 2025, três vezes mais que em 2024. E o plano é investir mais US$ 518 bi nos próximos anos.
Em junho deste ano, a SpaceX estreou na bolsa e foi avaliada em US$ 1,77 trilhões. A expectativa é que o IPO da Anthropic avalie a companhia em mais de US$ 2 tri. Enquanto isso, a OpenAI já disse que não vai abrir capital em 2026: “é um momento imprudente”, disse Altman.





