Além dos chatbots: a IA nos bastidores do mercado de crédito
Com previsão de investimentos bilionários, a ferramenta começa a apoiar tarefas especializadas do setor financeiro.
Segundo a pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026, os bancos brasileiros devem investir R$ 50,4 bilhões em tecnologia neste ano, uma alta de 8% em relação a 2025. Entre as prioridades, a Inteligência Artificial e a IA generativa foram citadas por 84% das instituições, com expectativa de usar a ferramenta não apenas como canal de atendimento, mas também para realizar tarefas especializadas nos bastidores do mercado de crédito, como análise de informações, conferência de documentos e identificação de possíveis inconsistências.
De acordo com o estudo, a adoção da IA nessas operações, embora esteja no estágio inicial, já proporciona ganhos de pelo menos 11% em processos internos como backoffice e desenvolvimento de aplicações.
“Estamos entrando em uma fase em que a IA deixa de ser apenas uma ferramenta de interação e passa a apoiar atividades que exigem conhecimento específico do negócio”, afirma Isaac Ferreira, diretor de produtos da Tecnobank. “No crédito, em que há um grande volume de informações e regras envolvidas em cada operação, esse tipo de aplicação pode trazer ganhos importantes de eficiência”.
Complexidade operacional
No crédito automotivo, por exemplo, o registro de um financiamento é complexo, segundo o especialista, pois envolve circulação e validação de informações entre instituições financeiras, registradoras e órgãos de trânsito. “Nesse processo, inconsistências em dados ou dúvidas sobre regras específicas podem demandar consultas e análises adicionais”, diz. É aí que a IA entra como apoio, direcionando a atenção dos profissionais para situações que exigem análise humana.
“O valor da IA nesse tipo de processo está na capacidade de trabalhar com agilidade dentro de um contexto específico”, ressalta o executivo. “É um uso menos visível para o consumidor, mas com potencial de gerar impacto na eficiência do crédito”.





