MELHORES PRÁTICAS
Por Leo Caparroz
O debate sobre os riscos do avanço desenfreado da IA não para de crescer – e com razão. Mas a tecnologia tem seu lado bom. Ela pode ajudar a estreitar e melhorar a relação entre cidadãos e poder público, por exemplo.
É o que afirma Arnobio Morelix, conselheiro sênior da Genome, startup que assessora governos em políticas de inovação. Ele destaca cinco usos que exemplificam o potencial da tecnologia nessa seara. Veja a seguir.
Modelos de linguagem podem produzir resumos, explicar conceitos, comparar versões de um texto e adaptar informações para tornar leis, propostas e decisões políticas mais compreensíveis.
"A tecnologia pode diminuir a distância entre o que está nos sites oficiais e o público, desde que seja utilizada para explicar o conteúdo e não para direcionar a interpretação política que o cidadão deve fazer dele”, afirma Morelix.
Ferramentas de IA já promovem acessibilidade com transcrição automática de áudio, geração de legendas, descrição de imagens, síntese de voz, tradução e adaptação de textos para outros formatos...
Na política e na gestão pública, esses recursos podem ampliar o acesso de pessoas com deficiência e de cidadãos que encontram dificuldades diante dos formatos tradicionais de comunicação governamental.
Saúde, educação e outras áreas do poder público produzem um grande volume de dados todos os dias. Ferramentas de IA podem ajudar a cruzar e classificar informações, além de identificar padrões.
"A IA pode encontrar padrões, mas não pode transformá-los em políticas", lembra Morelix. "A tecnologia amplia a capacidade de análise, mas a responsabilidade continua sendo humana.”
Governos também recebem um grande volume de informações por meio de ouvidorias, consultas públicas, serviços de atendimento e canais de participação social. A IA pode ajudar a organizar o que a população está dizendo.
Sistemas de processamento de linguagem podem ajudar a agrupar manifestações por assunto, por exemplo, identificar problemas recorrentes e acompanhar o surgimento de novas demandas entre a população.
Algumas ferramentas de IA também podem ajudar jornalistas, plataformas, pesquisadores e instituições a detectar imagens, vídeos e áudios gerados ou manipulados artificialmente.
Os cinco exemplos têm algo em comum: em casos de uso promissores e responsáveis como esses, a IA não toma decisões, mas amplia a capacidade humana de compreender, analisar e acessar informações.